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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O Bem Natural e o Homem Canibal

Olhei ao céu numa tarde clara
E vi as nuvens se moverem devagar.
Caminham brandas e não para
Teu singelo e suave andar.

Vi-as tomando formas:
Arte mágica e mansa.
Um toque simples logo entornas
A névoa que nunca se cansa.

Vi suas sombras no jardim,
Suas formas no chão.
Elas se batem e chegam ao fim:
Entristece-se meu coração.

            *

Olhei ao céu numa tarde florida
E vi a relva dançar com o vento.
Cavei lá dentro, cacei a vida
Em meu corpo ao relento.

Toquei nas pétalas de uma rosa...
Oh, maciez que toca-me a alma!
Senti seu aroma, ó cor formosa:
Anestesia-me e devolve a calma.

Vi as árvores e seu olhar
Abraçarem-me em ternura.
Vejo-as com puro pesar:
Tua casca já é escura.

            *

Olhei ao céu numa tarde bela
E pássaros cochicham entre si.
Avistei um cavalo na sela
E montei-o para correr por aí.

O vento bate na fronte
Com o cavalgar de meu alazão.
Andei nos campos, cruzei a ponte
Para um mundo sem solidão.

Vi coelhos e esquilos e felinos
Na natureza tão bendita
E não percebi teu pobre destino
Ou tua companhia tão distinta.

            *

Mas agora não vejo mais
As nuvens tão claras e belas.
Não se movem tão calmas
Nem têm formas singelas.

Não cheirei mais a rosa:
Foi arrancada de minha terra.
Não tem mais pétalas ou é formosa:
Sua raiz já se encerra.

As árvores já morreram,
O alazão já não vejo
E não corre mais em belos campos:
O vento eu não mais beijo.

Olhei ao céu numa tarde real
E vi homens como eu.
Devastaram tudo! e eram o mal
Meu Deus, não vejo mais o céu!

Um comentário:

Anônimo disse...

Nós contra nós mesmos, o ser humano chega a ser irônico. Ficou maravilhoso *-*