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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Por que? Por que quando sento-me e espero algo mais passar e levar-me a consciência, eflui-me da mente a precita solidão? Minha mente veleja pelas nuvens, montanhas e prados sob este firmamento, mas não consigo achar o real motivo. Sinto-me como um prisioneiro de mim mesmo. Não há mais a motivação de outrora. Não há mais felicidade. Meus sentimentos vem e vão como o vento numa terra longínqua, mas não param aqui comigo, apenas continuam sua jornada ao jardim do esquecimento.

Oh, Não posso mais! Não aguento mais esta lâmina atravessando-me o peito toda vez e penso em vocês. Não suporto mais ver, ouvir e sentir coisas que há tempos estão me matando. Estou sozinho.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O Bem Natural e o Homem Canibal

Olhei ao céu numa tarde clara
E vi as nuvens se moverem devagar.
Caminham brandas e não para
Teu singelo e suave andar.

Vi-as tomando formas:
Arte mágica e mansa.
Um toque simples logo entornas
A névoa que nunca se cansa.

Vi suas sombras no jardim,
Suas formas no chão.
Elas se batem e chegam ao fim:
Entristece-se meu coração.

            *

Olhei ao céu numa tarde florida
E vi a relva dançar com o vento.
Cavei lá dentro, cacei a vida
Em meu corpo ao relento.

Toquei nas pétalas de uma rosa...
Oh, maciez que toca-me a alma!
Senti seu aroma, ó cor formosa:
Anestesia-me e devolve a calma.

Vi as árvores e seu olhar
Abraçarem-me em ternura.
Vejo-as com puro pesar:
Tua casca já é escura.

            *

Olhei ao céu numa tarde bela
E pássaros cochicham entre si.
Avistei um cavalo na sela
E montei-o para correr por aí.

O vento bate na fronte
Com o cavalgar de meu alazão.
Andei nos campos, cruzei a ponte
Para um mundo sem solidão.

Vi coelhos e esquilos e felinos
Na natureza tão bendita
E não percebi teu pobre destino
Ou tua companhia tão distinta.

            *

Mas agora não vejo mais
As nuvens tão claras e belas.
Não se movem tão calmas
Nem têm formas singelas.

Não cheirei mais a rosa:
Foi arrancada de minha terra.
Não tem mais pétalas ou é formosa:
Sua raiz já se encerra.

As árvores já morreram,
O alazão já não vejo
E não corre mais em belos campos:
O vento eu não mais beijo.

Olhei ao céu numa tarde real
E vi homens como eu.
Devastaram tudo! e eram o mal
Meu Deus, não vejo mais o céu!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O cimeiro da montanha: cap. XVII

Onde meus pés pisoteiam
Outrem o havia já feito,
E minha imaginação começa a pensar
Quem poderia ser este ignoto outrem.

Seria o padeiro? Ou então o ferreiro?
Ou ambos? Ou então nenhum deles?
Poderia ser talvez o coveiro
Que um dia me verá e somente neste dia
Lúgubre pensará em minha pessoa.
Ou então o bufão real, com suas piadas
E murmúrios que fazem rir os ossos
Da Natureza.

Independente de quem seja este outrem
Meus pés pisoteiam a terra,
Marcada pelas ações destes homens do passado.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Sentidos


Não vivo mais sem o calor dos teus cabelos...
Ah, e quem dera eu tê-los!
Para afogar-me a fronte
Nas madeixas e cachos insontes:
Afogo-me neles sem entendê-los.

Não enxergo mais sem o vislumbre da tua face...
Ah, olho-a e algo aqui nasce!
E sinto-me de forma diferente,
Sinto querer-te eternamente
Sem o medo e sem disfarce.

Não respiro mais sem que o aroma me sufoque...
Ah, quero guardá-la qual estoque!
E não venderei nenhuma peça!
Vou usá-los sem nenhuma pressa
Até o dia em que tua mão me enforque.

Não oiço mais sem a ondulação da tua voz...
Ah, quero estar com ela a sós!
E tocá-la co’os ouvidos
Em meus leitos aquecidos
Até que a morte venha a nós.

Não sinto mais sem o sabor dos teus beijos...
Ah, tê-los às margens do Tejo!
É como viver num paraíso
Co’a face absorta num sorriso,
Unindo n’alma amor e desejo!