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terça-feira, 2 de novembro de 2010

Livre-se...

Receio que a ideia mais ínfima, o pecado mais pútrido sejam aqueles que nos tornam livres. Nossos pensamentos vagam ao vento, pelas ruas, pelo mar. E imagina como seria fazer ou cometer tal ingúria, ou qual ato infame. Ficamos presos numa diáfana barreira - da qual nós mesmos criamos - que nos impedem de fazer ou falar isto ou aquilo. Num livro talvez pouco conhecido, há essa mesma idéia, esta mesma... deparação. No entanto, não ouso dar a resposta destas indagações com palavras minhas, mas sim com as palavas do próprio autor, Oscar Wilde:

"Pecando, o corpo se liberta do seu pecado, por que a ação é uma forma de purificação. Nada resta então a não ser a lembrança de um prazer ou a volúpia de um remorso. O único meio de nos livrarmos de uma tentação é ceder a ela. Se lhe resistirmos, nossas almas ficarão doentes, desejando as coisas que proibiram a si mesmas e, além disso, sentiram desejo por aquilo que algumas leis perversas tornaram perverso e ilegal. Já se disse que os grandes acontecimentos acontecem no cérebro. É no cérebro e somente nele que também acontecem os grandes pecados do mundo. O senhor mesmo, Gray, com a sua juventude cor de rosa e a sua adolecência alvirrosada deve ter tido paixões que o amedrontaram, pensamentos que o encheram de terror, sonhos despertos e sonhos adormecidos, cuja simples lembrança poderia tingir de vergonhas as suas faces, colorindo de rubros raios os semblantes de bancadas pueris!"

Lorde Henry Wotton - O retrato de Dorian Gray
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Tens medo de quê, ó humano,
Se tens alma queda e panda?
Não fizestes da Terra um pano
Qual a plácida mão de quem manda?

Um comentário:

Anônimo disse...

O retrato de Dorian o Gay