terça-feira, 23 de novembro de 2010
Esquizofrenia
Místico outrem que me atrai para o vazio.
Lânguido silêncio da minha alma..
Quem em sã consciência me grita pelo nome?
Desconheço-te.
Desatina meus olhos e mãos e cabelos ao pensar
Em uma existência doutra existência no interior de meu eu.
Eterno outro que me clama poder clamar...
A vida que lhe escurece a vista sem cegar
O coração mantido intocável,
A carne ainda mais impermeável,
Então por que almeja sair?
Esta pressão arterial em meu espírito
Instiga-me a libertá-lo de uma prisão
Que não sei de onde nem de quando é.
Mente insana! Ó flagelo!
Esta espira que sobe de dentro para fora
Neste meu ser de não ser eu.
Nestes ser de todos de não ser ninguém.
Não sem de onde vem.
Não sei se sou eu ou outrem.
domingo, 7 de novembro de 2010
Páginas efêmeras
D’alguns versos perdidos na gaveta fiz epopéias seculares.
Perduram todas elas por um ano ou dois? Meses talvez. Ou serão dias?
Será que os séculos mostrados em páginas tam levianamente, são esquecidos com o término desta edição? Quem vos disse que a história é tam diminuta?
O que se passou num período de milênio é feito enquanto o diabo pisca o olho?
Ou será que o milênio foi passado na velocidade da luz e as páginas é que perduram pela eternidade dos séculos?
Se esta for a melhor verdade, que sejam eternas estas minhas páginas!
Salvem os livros, p’lo amor de Deus!
Perduram todas elas por um ano ou dois? Meses talvez. Ou serão dias?
Será que os séculos mostrados em páginas tam levianamente, são esquecidos com o término desta edição? Quem vos disse que a história é tam diminuta?
O que se passou num período de milênio é feito enquanto o diabo pisca o olho?
Ou será que o milênio foi passado na velocidade da luz e as páginas é que perduram pela eternidade dos séculos?
Se esta for a melhor verdade, que sejam eternas estas minhas páginas!
Salvem os livros, p’lo amor de Deus!
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Feliz Ano Velho!
O futuro é velho. Simples por definição;
Lá eu não mais serei ágil e robusto,
As moças belíssimas não mais serão tão belíssimas;
Minha avó! Ah, minha bondosa avó!
Não mais fará seus maravilhosos doces e
Nem contará suas histórias de mocidade.
Os cabelos escuros que hoje possuo não serão
Menos prateados que os dela;
O futuro é velho.
Apenas o passado é que me conforta.
Lá está meu júbilo de pouca idade,
Meus gracejos e travessuras, minha infância!
As galhofas com as moças belas;
Ah, e os doces de minha avó!
Simples por definição:
O futuro é velho...
Lá eu não mais serei ágil e robusto,
As moças belíssimas não mais serão tão belíssimas;
Minha avó! Ah, minha bondosa avó!
Não mais fará seus maravilhosos doces e
Nem contará suas histórias de mocidade.
Os cabelos escuros que hoje possuo não serão
Menos prateados que os dela;
O futuro é velho.
Apenas o passado é que me conforta.
Lá está meu júbilo de pouca idade,
Meus gracejos e travessuras, minha infância!
As galhofas com as moças belas;
Ah, e os doces de minha avó!
Simples por definição:
O futuro é velho...
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Livre-se...
Receio que a ideia mais ínfima, o pecado mais pútrido sejam aqueles que nos tornam livres. Nossos pensamentos vagam ao vento, pelas ruas, pelo mar. E imagina como seria fazer ou cometer tal ingúria, ou qual ato infame. Ficamos presos numa diáfana barreira - da qual nós mesmos criamos - que nos impedem de fazer ou falar isto ou aquilo. Num livro talvez pouco conhecido, há essa mesma idéia, esta mesma... deparação. No entanto, não ouso dar a resposta destas indagações com palavras minhas, mas sim com as palavas do próprio autor, Oscar Wilde:
"Pecando, o corpo se liberta do seu pecado, por que a ação é uma forma de purificação. Nada resta então a não ser a lembrança de um prazer ou a volúpia de um remorso. O único meio de nos livrarmos de uma tentação é ceder a ela. Se lhe resistirmos, nossas almas ficarão doentes, desejando as coisas que proibiram a si mesmas e, além disso, sentiram desejo por aquilo que algumas leis perversas tornaram perverso e ilegal. Já se disse que os grandes acontecimentos acontecem no cérebro. É no cérebro e somente nele que também acontecem os grandes pecados do mundo. O senhor mesmo, Gray, com a sua juventude cor de rosa e a sua adolecência alvirrosada deve ter tido paixões que o amedrontaram, pensamentos que o encheram de terror, sonhos despertos e sonhos adormecidos, cuja simples lembrança poderia tingir de vergonhas as suas faces, colorindo de rubros raios os semblantes de bancadas pueris!"
Lorde Henry Wotton - O retrato de Dorian Gray
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Tens medo de quê, ó humano,
Se tens alma queda e panda?
Não fizestes da Terra um pano
Qual a plácida mão de quem manda?
"Pecando, o corpo se liberta do seu pecado, por que a ação é uma forma de purificação. Nada resta então a não ser a lembrança de um prazer ou a volúpia de um remorso. O único meio de nos livrarmos de uma tentação é ceder a ela. Se lhe resistirmos, nossas almas ficarão doentes, desejando as coisas que proibiram a si mesmas e, além disso, sentiram desejo por aquilo que algumas leis perversas tornaram perverso e ilegal. Já se disse que os grandes acontecimentos acontecem no cérebro. É no cérebro e somente nele que também acontecem os grandes pecados do mundo. O senhor mesmo, Gray, com a sua juventude cor de rosa e a sua adolecência alvirrosada deve ter tido paixões que o amedrontaram, pensamentos que o encheram de terror, sonhos despertos e sonhos adormecidos, cuja simples lembrança poderia tingir de vergonhas as suas faces, colorindo de rubros raios os semblantes de bancadas pueris!"
Lorde Henry Wotton - O retrato de Dorian Gray
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Tens medo de quê, ó humano,
Se tens alma queda e panda?
Não fizestes da Terra um pano
Qual a plácida mão de quem manda?
Às Senhoras
“Ó jovial rapaz do qual me reparo.
Quem me dera ter a tua agilidade!
O desejo de crescer foi-me caro
No âmbito da mais jovem idade.”
“Nobre senhora, não lamenta teus desejos.
Os fizera, pois desconhece o futuro!
Presenciou os mais fúlgidos pelejos
Co’a alma sidérea sem sucumbir ao escuro.”
“Teu discurso é doce como a lua,
Mas não conforta esta senhora
Que caminha erma por esta rua
E seu coração tam pobre chora.”
“Não entristeça com a tua solidão.
Este servo prefere é a tua sabedoria
A andar em meio a esta velha escuridão
Lépido com a mais jovem euforia.”
Quem me dera ter a tua agilidade!
O desejo de crescer foi-me caro
No âmbito da mais jovem idade.”
“Nobre senhora, não lamenta teus desejos.
Os fizera, pois desconhece o futuro!
Presenciou os mais fúlgidos pelejos
Co’a alma sidérea sem sucumbir ao escuro.”
“Teu discurso é doce como a lua,
Mas não conforta esta senhora
Que caminha erma por esta rua
E seu coração tam pobre chora.”
“Não entristeça com a tua solidão.
Este servo prefere é a tua sabedoria
A andar em meio a esta velha escuridão
Lépido com a mais jovem euforia.”
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